Felipe Drugovich abandonou a Sprint Race do GP de Monza e se tornou o primeiro campeão mundial da Fórmula 2 brasileiro. O piloto de Maringá (Paraná) tem 69 pontos de vantagem para o vice-líder Théo Pourchaire, o suficiente para conquistar o título com três provas de antecedência.

Embora Drugovich não tenha finalizado a prova, seu principal concorrente não conseguiu diminuir a diferença para o líder, pois terminou na 17° colocação. O cenário que se concretizou foi apenas um dos diversos possíveis: todos envolviam Felipe ter, ao menos, 66 pontos a mais que o francês, uma vez que só há mais 65 em disputa daqui em diante. Atualmente, Drugovich tem 233, e Pourchaire, 164.

O brasileiro largou em 12°, mas foi tocado ainda na curva de abertura e precisou retirar seu carro, de número 11. Ele, então, assisitiu à corrida diretamente da pitwall e vibrou quando o francês recebeu a bandeira quadriculada, pois ela confirmava seu título. Antes disso, o final de semana na Itália já não vinha sendo fácil para Felipe: ele perdeu cinco posições no grid de largada. A punição foi aplicada após uma aceleração sob bandeira amarela durante o treino classificatório. Drugo, como é apelidado, fez o quarto melhor tempo e largaria em sétimo (pela lógica de inversão dos carros) caso não tivesse sido advertido.

Felipe Drugovich comemorando o título com a equipe da MP Motorsport na pitwall (foto: Fórmula 2/Twitter).

“É incrível! Não tenho palavras para isso. Isso se tornou um sonho para mim, e esse sonho se tornou realidade. Estou profundamente feliz pela oportunidade”, falou Felipe sobre seu título. A vitória veio no mesmo dia e local que um brasileiro foi campeão da Fórmula 1 pela primeira vez. Em 10 de setembro de 1972, Emerson Fittipaldi atingia o topo do mundo do automobilismo no Autódromo de Monza.

Ao longo de 2022, Drugovich venceu cinco provas, conquistou nove pódios, foi o mais rápido em quatro qualificações e fez a volta mais rápida da corrida em quatro ocasiões. O paranaense também levou sua equipe, a MP Motorsport, à primeira posição do campeonato de construtores, aos 269 pontos. Vale lembrar que seu time era considerado de meio de pelotão até este ano, e que seu companheiro de equipe, Clément Novalak, é 15° na competição entre pilotos.

Até aqui, Felipe destacou-se por sua “realmente impressionante temporada”, como foi descrita por Will Buxton, um dos principais jornalistas da F1, em uma rede social. Porém, foram suas vitórias que realmente chamaram atenção. Ele ganhou a prova principal de Mônaco, considerada a corrida mais importante do calendário devida à alta visibilidade. Além disso, Drugo foi o primeiro piloto da F2 a vencer duas vezes no mesmo final de semana, quando ficou em P1 na Sprint Race e na Feature Race da Espanha.

Felipe Drugovich com a bandeira do Brasil após a conquista do título (foto: Dutch Photo Agency/MP Motorsport).

Drugo começou o campeonato de pilotos em 5°, devido aos seus resultados no grande prêmio de abertura. Contudo, a posição não durou muito. Já na rodada seguinte, ele assumiu a ponta da tabela, de onde saiu apenas por uma rodada – Ímola. Após retornar à liderança no GP seguinte, em Barcelona, Felipe até viu Pourchaire se aproximar em alguns momentos, mas nada que tirasse a posição.

Seus bons resultados motivam discussões sobre seu futuro no mundo do automobilismo. Isso porque o caminho natural do vencedor da Fórmula 2 é obter um assento na Fórmula 1. Porém, sem apoio de nenhuma academia de pilotos e sem patrocinadores que comprem sua vaga na F1, Felipe ainda não definiu seu próximo passo. Recentemente, ele se reuniu com a AlphaTauri e com a Aston Martin para negociar a posição de piloto reserva de alguma dessas equipes, mas nada foi anunciado ainda.

A falta de contrato com alguma equipe da principal categoria do automobilismo motivou cobranças. Buxton disse em seu Twitter: “Nós precisamos começar a falar sobre esse cara mais, como um grito para um assento na F1”. Além de jornalistas, não é difícil achar fãs de automobilismo pedindo pelo brasileiro na categoria principal. Mensagens como “nós precisamos de Drugovich na Fórmula 1”, “Drugo não tendo um assento na F1 para o próximo ano é um crime” e “Por favor, F1, acorde e note Drugo” tomaram as redes sociais após o título.

Felipe ainda pode terminar o ano como o maior vencedor da história da F2. Atualmente, ele possui oito vitórias na categoria, conquistadas ao longo das três temporadas que disputou na categoria. O brasileiro está empatado com Nick de Vries e Artem Markelov na primeira posição. Ele pode se isolar na liderança caso vença alguma das provas restantes: Feature Race em Monza (amanhã, 11), Sprint Race em Abu Dhabi (18 de novembro) ou Feature Race em Abu Dhabi (19 de novembro).

Equipe da MP Motorsport comemorando a vitória de Felipe Drugovich, no carro 11, durante o GP da Holanda (foto: MP Motorsport/Twitter).

O Brasil não tinha um campeão de uma categoria de base da Fórmula 1 desde 2000, ano em que Drugovich nasceu. Há 22 anos, Bruno Junqueira venceu a Fórmula 3000, categoria que não existe mais.

Conheça Felipe Drugovich

Felipe Drugovich Roncato nasceu em Maringá, Paraná, em 23 de maio de 2000. Aos oito anos, iniciou sua carreira no kart, competindo a nível nacional e internacional até 2015. Aos 16, ele adentrou o mundo das fórmulas.

Em 2016 e 17, disputou a Fórmula 4 Alemã e o MRF Challenge, sendo campeão do MRF em seu segundo ano na categoria. Em 2018, Felipe correu na Euroformula e ganhou o título de maneira dominante, vencendo 14 vezes em 16 etapas. No ano seguinte, foi para a Fórmula 3. Em 2020, chegou, finalmente, à Fórmula 2.

Drugo estreou na F2 pela MP Motorsport. Em seu primeiro ano, conquistou três vitórias, quatro pódios e uma pole position. O resultado foi suficiente para impressionar a Virtuosi, equipe de ponta, que o contratou para 2021. Entretanto, o foco da equipe no piloto Zhou Guanyu somado à falta de adaptação do brasileiro renderam um ano abaixo do esperado. Dessa forma, Felipe retornou à MP em 2022 e fez o que fez.

Felipe Drugovich no pódio na Espanha durante a Euroformula, em 2018 (foto: Euroformula Open/Reprodução).

Entenda a Fórmula 2

A F2 é a principal categoria de base da Fórmula 1. Alguns dos nomes do grid da F1 atual já passaram por lá, como Charles Leclerc, Nicholas Latifi, George Russell, Zhou Guanyu e Mick Schumacher.

Em 2022, 11 equipes disputam o título do Campeonato de Construtores, enquanto 22 jovens brigavam pelo Campeonato de Pilotos, vencido por Felipe Drugovich. A temporada foi dividida em 14 rodadas, com duas provas por circuito: a Sprint Race e a Feature Race.

A Sprint Race é uma corrida mais curta, de 120km, que acontece no sábado e dá 10 pontos para seu piloto campeão. Já a Feature Race, de 170km, é a disputa mais importante do final de semana – ela acontece no domingo e concede 25 pontos àquele que terminar em P1.

Na sexta-feira, acontece a qualificação, em que o pole position (quem marcou o melhor tempo) soma dois pontos e larga na primeira posição na Feature Race. Contudo, a F2 é adepta ao esquema do grid invertido para a Sprint Race. Assim, de quem ficou em P1 até em P10, invertem-se as posições, com o último largando em primeiro, o penúltimo em segundo, e assim por diante.

Fila de carros da Fórmula 2 no GP da Bélgica, em 2022 (foto: Dutch Photo Agency/Racing Online).

Resultados de Felipe Drugovich no ano

Bahrein:

  • Feature Race: 6°
  • Sprint Race: 5°
  • Qualificação: 10°

Árabia Saudita:

  • Feature Race: 1°
  • Sprint Race: 3°
  • Qualificação: 1°

Itália (Ímola):

  • Feature Race: 10°
  • Sprint Race: 5°
  • Qualificação: 12°

Espanha:

  • Feature Race: 1°
  • Sprint Race: 1°
  • Qualificação: 10°

Mônaco:

  • Feature Race: 1°
  • Sprint Race: DNF (Não finalizou a corrida)
  • Qualificação: 1°
Felipe Drugovich com seu troféu de campeão da Feature Race do GP de Mônaco (Foto: Felipe Drugovich/Twitter).

Azerbaijão:

  • Feature Race: 3°
  • Sprint Race: 5°
  • Qualificação: 5°

Silverstone:

  • Feature Race: 4°
  • Sprint Race: 5°
  • Qualificação: 3°

Áustria:

  • Feature Race: 11°
  • Sprint Race: 4°
  • Qualificação: 5°

França:

  • Feature Race: 4°
  • Sprint Race: 3°
  • Qualificação: 6°

Hungria:

  • Feature Race: 9°
  • Sprint Race: 4°
  • Qualificação: 3°

Bélgica:

  • Feature Race: 2°
  • Sprint Race: 4°
  • Qualificação: 1°

Holanda:

  • Feature Race: 1°
  • Sprint Race: 10°
  • Qualificação: 1°

Itália (Monza):

  • Sprint Race: DNF
  • Qualificação: 4°