Navio Endurance, desaparecido há 107 anos no Mar de Weddell, foi encontrado no último sábado (12) pela expedição Endurance22, financiada pela The Falklands Maritime Heritage Trust.

Você certamente já ouviu falar sobre o Titanic. Não o filme, mas o transatlântico de passageiros RMS Titanic, navio que naufragou em meio ao Atlântico Norte após colidir com um grande iceberg em 1912. Mas e sobre o Endurance, uma embarcação expedicionária que naufragou em meio a uma viagem rumo ao Polo Sul? Hoje, falaremos sobre sua história e a de Shackleton, seu capitão, além da expedição Endurance22, realizada em fevereiro deste ano.

Endurance momentos antes de afundar, 1915. Reprodução: O Globo
Retrato de Ernest Henry Shackleton. Reprodução: Viajar.com

Ernest Henry Shackleton, um jovem irlandês criado na Inglaterra, decidiu entrar para a Marinha a fim de realizar o seu grande sonho: ser um explorador, mesmo que contra a vontade de seu pai. Ainda novato, foi convidado pelo Oficial e um grupo de cientistas para duas expedições em meio aos Polos. Ernest, no entanto, por questões de saúde e limitações da embarcação, não conseguiu concluir seu objetivo de chegar ao Sul em nenhuma das viagens.

Mesmo frustrado, o jovem não deixou seu anseio de lado e logo organizou uma nova expedição: em 1914 embarcou juntamente com 27 homens e um penetra, totalizando 28 companheiros no Endurance, um navio veleiro expedicionário. Tendo como ponto de partida a Inglaterra, o objetivo de Shackleton era navegar pelos Polos coletando novas informações, experiências e finalmente chegar ao Sul. Sendo assim, em 8 de agosto daquele ano, iniciou-se a viagem.

Tripulação do Endurance já no aguardo do resgate em 1915. Reprodução: Observador.com

“Buscam-se homens para viagem perigosa. Salários baixos, frio extremo, longos meses de completa escuridão, perigo constante, retorno ileso duvidoso. Honras e reconhecimento em caso de sucesso”, anúncio em busca de tripulantes publicado por Shackleton nos jornais ingleses.

Anúncio feito por Shackleton em jornais da época. Reprodução: Mar Sem Fim

Um ano após o início da expedição, no entanto, a viagem foi interrompida: o Endurance acabou encalhando no Mar de Weddell, no Oceano Antártico. Houve tentativas de recuo, mas todas sem sucesso. À medida que a tripulação esperava pelo resgate, o navio sofria com a pressão da água, até não resistir mais e ter seu casco perfurado. Tendo 44 metros de comprimento, uma carcaça reforçada por uma superfície de madeira e três mastros de velas, Endurance afundou no Oceano gradativamente até atingir três metros de profundidade.

Tripulação do Endurance em uma partida de futebol a espera do resgate. Reprodução: Terra.com
Endurance já com sua parte inferior submersa. Reprodução: Metsul.com

Mesmo com o sucesso do resgate e toda a tripulação salva, o navio jamais fora visto após o acidente até o último dia 12, quando a embarcação foi encontrada em perfeito estado por um grupo especializado em naufrágios antigos.

Financiado e organizado pelo The Falklands Maritime Heritage Trust (FMHT), uma Organização especializada em busca de embarcações alemãs naufragadas durante a Batalha das Malvinas, a expedição Endurance22 teve início em fevereiro deste ano. Contando com a ajuda de satélites alemães, helicópteros, robôs submarinos, além de um time formado por arqueólogos marinhos, engenheiros e cientistas, as buscas duraram quase três semanas em um entorno de 241 quilômetros quadrados.

Navio S.A. Agulhas II em meio ao Mar de Weddell. Reprodução: Endurance22

Utilizando o SA Agulhas II, um dos navios mais modernos em expedições polares, juntamente com os robôs aquáticos, os pesquisadores descobriram que enquanto naufragava, o Endurance foi carregado pelas águas por seis quilômetros até encostar de fato no fundo do oceano. Já em relação a surpreendente conservação, os pesquisadores afirmam que ela se deve a grande profundidade que o barco alcançou. Em um local de alta pressão e escuridão, o ambiente se torna inóspito à sobrevivência de seres vivos.

“Mastros, timão, escotilhas, amuradas, até o nome do barco claramente visível na popa. Tudo estava em perfeito estado, como se o Endurance tivesse afundado no mês passado, e não exatos 107 anos atrás….” –  Mensun Bound, arqueólogo marítimo que participou das buscas.

Popa do Endurance. Reprodução: Revista Galileu
Parte frontal do Endurance. Reprodução: Revista Galileu
Popa do Endurance. Reprodução: Revista Galileu

Mesmo com a descoberta, os pesquisadores não poderão estudar o Navio, porque ele é protegido pelo Tratado Antártico que o torna um monumento histórico. Sendo assim, não pode ser usado como material de estudo, tampouco tocado. Diante disso, a equipe usará uma tecnologia de ponta que mapeará todo o Endurance por dentro e por fora a fim de montar uma maquete 3D. Esta, portanto, permitirá o estudo do navio, além de ajudar a encontrar maneiras de preservar ainda mais esse novo monumento histórico recentemente encontrado.

Você pode acompanhar a localização em tempo real do SA Agulhas II e o andamento da pesquisa no próprio site da Endurance22: https://endurance22.org/the-expedition

Reprodução do monitoramento do SA Agulhas II no site Endurance22.

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