O Brasil enviou seis atletas a Pequim para competirem nos Jogos de Inverno. Confira um resumo do desempenho verde-amarelo nas Paralimpíadas.

Aconteceu entre os dias 04 e 13 de março os Jogos Paralímpicos de Inverno, na China. Apelidado de Pequim 2022, o evento contou com 78 modalidades, divididas em provas de gelo e de neve. No somatório de todas as competições, teria um máximo de 736 atletas paralímpicos – dentre os quais aproximadamente 0,8% são do Brasil. A delegação brasileira participou apenas de sua terceira Paralimpíadas e teve número recorde de competidores, seis.

Entrada do Brasil na cerimônia de abertura de Pequim 2022 (Foto: Alessandra Cabral/Comitê Paralimpico Brasileiro).

Conheça os atletas nas Paralimpíadas

Wesley Vinicius dos Santos, de 23 anos, é natural de Jundiaí, em São Paulo, e compete no esqui cross-country. Ele se enquadra na classe LW11.5, o que significa que ele tem uma deficiência nas pernas, mas ainda possui um controle pouco limitado do tronco, competindo sentado. Santos tornou-se deficiente após cair em um parque próximo a Jundiaí e lesionar sua coluna espinhal. Curiosamente, seu treinamento ocorreu em São Carlos (SP), enfrentando temperaturas acima de 40°C.

Cristian Westemaier Ribera é rondoniense, da cidade de Cerejeiras, tem 19 anos e é paratleta de esqui cross-country. Assim como Santos, Westemaier é parte da classe LW11.5 – porém, sua deficiência o acompanha desde seu nascimento, visto que é decorrente de sua artrogipose, doença congênita que atinge as articulações. Treinado em Jundiaí, Cristian carrega consigo a melhor colocação do Brasil em qualquer Jogos de Inverno, paralímpico ou olímpico: o sexto lugar na prova de 15km em PyeonChang 2018. Além disso, ele chega a Pequim com uma medalha de prata no mundial de janeiro, na Noruega, pela prova sprint (1km).

O paraibano Robelson Moreira Lula também compete no esqui cross-country. Originário da cidade de Juru, o atleta de 29 anos se enquadra na classe LW12. A classificação decorre de uma deficiência nas pernas (teve a perna direita amputada acima do joelho aos 11 anos devido a um câncer na região) em que há controle normal do tronco. Lula treina junto de Santos em São Carlos, com auxílio do rollerski – um esquema de rodas capaz de imitar os esquis.

Guilherme Cruz Rocha é o último, mas não menos importante, brasileiro do esqui cross-country. Paulistano, ele é da mesma classe que Lula, a LW12, devido a um acidente que lhe fez perder sua perna esquerda em 2018. Com 25 anos, Rocha sonha em se graduar em educação física e é treinado por Taylor Bryan e Leandro Ribela.

A única mulher da delegação é Aline dos Santos Rocha, paranaense de 31 anos. Paraplégica desde um acidente de carro em 2006, Aline já havia competido nos Jogos Paralímpicos de Verão Rio 2016 no atletismo. Ela migrou para o esqui cross-country em 2017, tendo ganhado duas medalhas de bronze em copas do mundo e participado de PyeongChang 2018 e Pequim 2022 – aliás, Rocha é a única mulher brasileira a representar o país em uma Paralimpíada. Ela nasceu na cidade de Pinhão e é da classe LW10.5 (possui uma deficiência nas pernas, e a estabilidade do tronco é mínima).

O representante do Brasil nas Paralimpíadas que não compete no esqui é André Barbieri, do para-snowboard. Nativo de Lajeado (RS), o atleta de 40 anos teve sua perna esquerda amputada acima do joelho, após um acidente enquanto praticava justamente o seu esporte, o snowboard. Sendo assim, ele faz parte da classe SB-LL1, a qual abriga paratletas cuja deficiência significativa nas pernas têm seus balanços, controle das pranchas e absorção do impacto reduzidos. Ele chegou a praticar o para-triátlon, mas a ausência da modalidade em Tóquio 2020 o fez mudar de atividade.

Delegação brasileira completa em Pequim para as Paralimpíadas, a maior da América Latina e a 20° maior no geral (Foto: Alessandra Cabral/Comitê Paralímpico Brasileiro).

O cross-country nas Paralimpíadas

O para-esqui cross-country foi, de longe, a modalidade com mais representantes brasileiros: cinco. Os atletas competiram tanto no masculino quanto no feminino. A modalidade tem suas provas baseadas nas suas distâncias e tipos de deficiências. O Brasil marcou presença todas as vezes na categoria sitting, em eventos de longa distância, média distância e sprint, cujas quilometragens variam de 1 a 18km.

Porém, antes mesmo dos esportes começarem, o cross-country do Brasil já se fazia presente nas Paralimpíadas. Isso porque Cristian Westemaier Ribera e Aline dos Santos Rocha foram os escolhidos para carregar a bandeira do país durante a cerimônia de abertura dos jogos, ocorrida no dia 03.

Quanto às competições, a prova de Longa Distância Sentado masculina foi a primeira a acontecer, na noite do dia 05, e já valia medalha. Westemaier foi o mais bem colocado, em 14° com um tempo 52min29s1. Em sequência, Rocha ficou em 19°; Lula, em 20° e Santos fechou os resultados do Brasil na 23° posição. A saber, eram 25 atletas, com o primeiro colocado fazendo o trajeto em 43:09.2.

Semelhantemente, no Sprint Sentado (curta distância), Cristian Ribera teve o melhor desempenho brasileiro. Westemaier ficou em 9° na tabela final, depois de uma classificação emocionante para a semifinal em 5° lugar geral e de uma amarga 5° posição na semifinal em si – para avançar à final, ele precisaria ter ficado em pelo menos 3°. Rocha, Lula e Santos não passaram da primeira fase, ficando em 18°, 21° e 24° no ranking definitivo, respectivamente.

Robelson Lula durante Sprint masculino (Alessandra Cabral/Comitê Paralímpico Brasileiro).

Já o último evento das Paralimpíadas que o quarteto masculino de esquiadores concorreu foi o Média Distância Sentado, no dia 11. Com fase única, a disputa contou com 34 atletas e viu a classificação brasileira se repetir: Westemaier como o melhor (13° com um tempo de 36:09.5), seguido de Rocha (18°, 37:23.6), Lula (20°, 38:20.3) e Santos (27°, 41:12.5).

O cross-country também foi marcado por resultado histórico de Aline. Na prova de longa distância, ficou em 7° lugar após percorrer os 15km designados, com um tempo de 50min45s7 – esse foi o melhor resultado feminino em um Jogos de Inverno. A brasileira competiu contra outras oito atletas, e o tempo do ouro foi 43:06.7.

No Sprint feminino, Aline parou nas semifinais (ficou em 5° em sua bateria, da qual as três primeiras avançavam), depois de ser a 9° melhor das classificatórias. Dessa forma, sua posição no ranking final foi 10°. A competição tinha trajeto de 1km e contou com 18 participantes – a vencedora foi a chinesa H. Yang.

Para encerrar suas disputas individuais, Aline conquistou outro top-10 na madrugada do dia 12. A brasileira foi a 10° colocada no evento de média distância ao esquiar os 7,5km em 30min07s.6. Com esse tempo, ela ficou seis minutos atrás do primeiro lugar e oito minutos na frente do último (16).

Finalmente, o encerramento das atividades do cross-country e do Brasil nas Paralimpíadas se deu na noite do dia 12. Robelson Lula, Cristian Westemaier Ribeira, Guilherme Cruz Rocha e Aline dos Santos Rocha se uniram na prova de revezamento misto, que reúne atletas de todas as categorias. Depois de cada esquiador correr 2,5km e de duas quedas, o Brasil ficou na 8° posição, com um tempo de 34min10s5. O time brasileiro, composto por cadeirantes, foi a única das oito equipes a lutar contra a desvantagem de esquiar em um circuito feito para aqueles que competem de pé. 

Os cinco atletas de cross-country do Brasil juntos durante treino antes dos Jogos começarem (Alessanda Cabral/Comitê Paralímpico Brasileiro).

O snowboard nas Paralimpíadas

No snowboard cross, a classificatória (uma rodada base que serve para separar as baterias da final) no dia 06 de André Barbieri lhe conferiu o 13° lugar. Dentre suas duas descidas, a primeira teve um tempo melhor (1min18s30), sendo, portanto, a utilizada como resultado. Quando valeu medalha, no dia 07, André parou nas quartas de final, com um 4° lugar na sua bateria (os dois primeiros passavam). Dessa forma, no ranking do evento, ele se manteve na 13° posição.

Coincidentemente ou não, Barbieri obteve a mesma colocação no snowboard banked slalom, competido no dia 11. O atleta terminou sua participação nas Paralimpíadas em prova de apenas uma fase. Nela, teve como tempo válido o da segunda descida – 1min22s18 -, haja vista a queda que sofreu na tentativa anterior. O resultado o caracterizou como o 13° melhor dentre os 16 competidores. A saber, a medalha de ouro ficou com Zhongwei Wu, da China, que completou o trajeto em 1:10.85.

Vale a pena citar que André ganhou a honra de ser o porta-bandeira do Brasil na cerimônia de encerramento de Pequim 2022. A notícia de que o estreante em Jogos Paralímpicos de Inverno desfilaria foi divulgada no dia anterior à festividade de domingo (13).

André Barbieri durante prova do snowboard cross em Pequim 2022 (Chloe Knott/OIS).

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