De Simone Biles a Kevin Love, atletas de alto rendimento buscam trazer visibilidade para a saúde mental

A campanha Setembro Amarelo, o mês de Prevenção ao Suicídio, existe desde 2014 e foi criada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em conjunto com o Conselho Federal de Medicina (CFM). 

O suicídio está intimamente relacionado à saúde mental. No esporte, a pauta do bem-estar psicológico está cada vez mais presente em falas de atletas de alto rendimento. Confiram 6 atletas que falam abertamente sobre saúde mental!

Simone Biles

“Tenho que me concentrar na minha saúde mental. (…) Temos que proteger nosso corpo e nossa mente”

A 9ª melhor ginasta da História começou suas participações em Olimpíadas na Rio 2016, já conquistando quatro ouros e um bronze. Desde então, a pressão sobre a jovem atleta cresceu e, com ela, sua saúde mental foi abalada.

Em Tóquio 2020, a cobrança foi tamanha que Biles desistiu de cinco das seis provas que ia disputar para cuidar de sua saúde mental. Ela não teve medo de se priorizar e mostrar que até os grandes atletas são, antes de tudo, seres humanos.

“Às vezes sinto como se tivesse o peso do mundo sobre as minhas costas. Faço parecer que a pressão não me afeta, mas é difícil (…) Não somos apenas atletas. Somos pessoas. E, às vezes, é preciso dar um passo atrás”

Michael Phelps

“Eu não queria mais estar no esporte; eu não queria mais estar vivo”

Foram essas palavras que o maior medalhista olímpico da história usou para descrever sua “maior queda”, que ocorreu após Londres 2012, quando ganhou seis medalhas. 

Desde sua primeira experiência olímpica, em 2004, a saúde mental do ex-nadador ficou abalada. Após Rio 2016, ele se aposentou e, desde então, buscou levantar a pauta da saúde mental, sem romantizá-la: “você tem bons e maus dias. Mas nunca há uma linha de chegada. (…) eu nunca serei ‘curado’. Isso nunca vai desaparecer”.

Ele fala sobre o assunto abertamente porque quer usar sua visibilidade para ajudar aqueles que sofrem com problemas psicológicos:

“Eu quero ajudar os outros. E eu quero me responsabilizar. Há uma tonelada de pessoas lutando contra a mesma coisa. Não importa o que você passou, de onde você veio ou o que você quer ser. Nada pode te impedir. Você só precisa aprender os truques que funcionam para você e depois ficar com eles, acreditar neles, para evitar entrar em um ciclo negativo.”

Naomi Osaka

“Está OK não estar bem e OK não falar sobre isso”

A segunda melhor tenista do mundo se recusou a dar entrevistas para cuidar de sua saúde mental. Isso lhe rendeu multa e ameaça de expulsão do torneio. 

Naomi sofreu longos períodos de depressão desde o US Open de 2018, do qual Osaka saiu vitoriosa após derrotar a maior tenista de todos os tempos, Serena Williams.

Naomi fala abertamente sobre seus problemas com a saúde mental, mas repudia a pressão para falar sobre eles. Ela pede respeito e empatia da imprensa e do torneio, sobretudo quando essa pressão vem do fato de que nenhum deles acreditam realmente nela:

“Senti uma grande pressão para revelar quais eram os meus sintomas, francamente, porque a imprensa e o torneio não acreditaram em mim. Eu espero que as pessoas possam se relacionar e que compreendam que está OK não estar bem e OK não falar sobre isso”

Lando Norris

“Apesar de chegar à F1, algo com que sempre sonhei, questionei minha crença em mim mesmo: me perguntei se eu era bom o suficiente”

Atualmente, Lando Norris está na terceira colocação da temporada. Em seu primeiro ano na Fórmula 1, porém, o piloto teve sua saúde mental e confiança abaladas. Ele sofreu muita pressão, principalmente, vinda dele próprio.

O britânico se comparava constantemente com o companheiro de equipe e com outros pilotos, perdendo sua crença em si mesmo e se questionando se era bom o suficiente.

Ele buscou apoio na família, no treinador, nos engenheiros. Ter alguém de confiança com quem falar, segundo ele, pode fazer toda a diferença. No entanto, a competitividade no esporte leva atletas a não falarem de suas vulnerabilidades e falhas:

“No esporte ninguém quer dar uma vantagem aos outros ou mostrar uma falha, não falamos sobre saúde mental tanto quanto deveríamos – e realmente deveríamos”

Diego Hypólito

“Quando eu entrei na Arena, a primeira coisa que pensei foi: ‘O que estou fazendo aqui? Por que não desisti? Por que estou me expondo mais uma vez?’ Minha perna estava tremendo muito.”

Esse relato de Hypólito diz respeito aos Jogos Olímpicos Rio 2016, nos quais ele conquistou a de prata. Em 2019, o ginasta lançou uma autobiografia e, nela, contou sobre sua forte crise de depressão após Londres 2012

Após uma infância cheia de humilhações por colegas de equipe e treinadores, o medo de se assumir homossexual e quedas nas Olimpíadas de Pequim e Londres, sua confiança foi abalada e, em 2014, o atleta foi diagnosticado com depressão e chegou a tentar suicídio.

“Não sei porque fiz isso, acho que era um período de muito desespero. Quando a gente tem uma crise de ansiedade, a gente não sabe o motivo. Eu tomei remédio durante dois anos e hoje em dia não tomo mais, estou curado”

Além disso, ele afirma que, sem o esporte, ele não teria as oportunidades que lhe foram apresentadas e não seria a pessoa forte que é hoje:

“O esporte me construiu uma fortaleza como pessoa. Se não fosse o esporte não teria me tornado forte, não teria conhecido o mundo todo, não teria tido oportunidades financeiras, e isso precisa ser para todos, não só para o Diego. Muitos talentos se perdem no meio do caminho.”

Kevin Love 

“Estar deprimido é exaustivo. (…) são necessárias toda a sua força e força de vontade para apenas existir. Para apenas continuar em frente”

Em 2020, o jogador da NBA escreveu para o site “The Players’ Tribune” um artigo intitulado “To Anybody Going Through It” (em tradução livre, “Para Qualquer Pessoa Que Esteja Passando Por Isso”). Nele, Love faz um relato íntimo sobre como é batalhar contra transtornos de saúde mental e como a luta nunca acaba.

“Mesmo depois de todo o trabalho que eu tentei fazer em mim mesmo pelos últimos dois anos e meio, alguns dias são apenas brutais. 

Vamos chamá-los pelo o que são. Alguns dias são uma m**** total, certo?”

Em 2017, ele teve um ataque de pânico durante um tempo no terceiro quarto do jogo. Desde então, como ele afirma, sua visão sobre saúde mental mudou. Ele não pensava que ataques de pânico eram reais, mas após sua experiência não tinha mais dúvidas do quão reais eram. Seu coração acelerou, sua respiração ficou pesada, “tudo estava girando” e ele teve que se retirar da quadra.

“Era como se meu corpo tentasse me dizer ‘você está a um passo de morrer‘. Eu acabei no chão do vestiário, deitado, tentando recuperar meu ar.”

Desde o episódio, o campeão da temporada 2016 pelo Cleveland Cavaliers buscou trazer visibilidade para a pauta do bem-estar mental. Antes, ele era muito protetor de sua vida privada, mas entendeu que é preciso falar sobre saúde mental.

Com isso, é com uma mensagem de esperança que ele finaliza seu artigo para o “The Players’ Tribune”:

“Se você está sofrendo agora, não posso dizer que isso vai ser fácil. Mas posso dizer que vai melhorar. E posso dizer que você definitivamente não está sozinho.”

Caso você esteja com a saúde mental abalada não exite em contatar o Centro de Valorização da Vida (CVV) para apoio emocional e preventivo do suicídio pelo número 188 e busque ajuda profissional. Você definitivamente não está sozinho!

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