Atletas do Time Brasil não mediram esforços para fazerem história nos jogos olímpicos de Tóquio, mesmo com a falta de investimento do governo federal. 

O Brasil teve um ótimo desempenho nas Olimpíadas de Tóquio 2020. Nosso país terminou em 12º lugar no quadro geral de medalhas, com 7 ouros, 6 pratas e 8 bronzes. Somamos 21 medalhas nas 3 semanas de jogos olímpicos e quebramos o nosso próprio recorde da Rio 2016. Com esses dados, até parece que o Brasil investe no esporte, certo? Engana-se quem concorda. 

De certa forma, é uma comparação um pouco injusta que farei aqui, mas no quadro abaixo pode-se perceber como China e Estados Unidos dominaram as Olimpíadas de Tóquio. Por que motivo? Porque são países que investem (e muito) nos esportes. Não entrarei em muitos detalhes já que o foco do texto é o Brasil, porém é importante mencionar que os chineses e estadunidenses valorizam muito o esporte. Obviamente, outros países também dão grande valor aos esportes, mas ambos não são os dois primeiros no ranking de medalhas por acaso. 

Quadro de medalhas das Olimpíadas de Tóquio 2020. Brasil em 12º lugar. Foto: Google

O que é mais irônico e chama grande atenção é o fato de o Brasil ter conseguido superar seu recorde de medalhas na Rio 2016 mesmo com enormes dificuldades no treinamento e na prática dos esportes. O Bolsa Atleta, criado em 2005, por exemplo, vive seu pior momento financeiro, e ainda por cima não tem seu valor reajustado desde 2010 – em sua categoria mais básica, a bolsa paga menos que um salário mínimo. Muitos atletas também ficaram sem receber por alguns meses, pois o governo não lançou o edital de 2020, deixando apenas para lançá-lo no início deste ano. 

De acordo com o jornal El País, a situação gerou até algumas declarações de atletas que viralizaram durante os Jogos Olímpicos – Vitória Rosa, que não passou da primeira eliminatória dos 200 metros rasos em Tóquio e integra o Bolsa Pódio (categoria principal do Bolsa Atleta), deu a seguinte declaração: “Eu estou feliz com meu resultado porque foi um ano muito difícil. Embora a gente esteja numa pandemia, eu estou sem patrocinador e com o salário do clube muito reduzido. A única coisa que me manteve foi o auxílio da Marinha.” Percebe-se que ela não citou o Bolsa Atleta em sua fala.

Ainda segundo o jornal citado acima, há também o fato do próprio Ministério dos Esportes ter sido extinto pelo governo Bolsonaro. No ano passado, cerca 500 terceirizados foram demitidos, incluindo no Bolsa Atleta, que teve um número de 18 empregados reduzido para apenas dois.

Para completar, muitos atletas não conseguem se sustentar apenas com a remuneração trazida pelo esporte. Segundo um levantamento do Globo Esporte citado na matéria do El País, 33 dos 301 se sustentam graças a outra profissão. Motoristas de aplicativo, empresários e profissionais de educação física são as três profissões mais comuns aos atletas que não conseguem ser só atletas. 

Vale ressaltar, ainda, a falta de apoio de empresas patrocinadoras ao esporte. Dados do GE mostram que 131 atletas competiram em Tóquio sem nenhum patrocínio e 41 precisaram fazer vaquinha para viajar.

Além disso, como se já não bastasse a falta de investimento e de patrocínio, a pandemia de COVID-19 também prejudicou muito os treinos e campeonatos dos atletas olímpicos – algumas das dificuldades que os esportistas tiveram que enfrentar foram os ginásios fechados e as suspensões dos torneios. Fernando Scheffer, medalhista de bronze na natação, por exemplo, teve de treinar em um açude durante algum tempo, já que as piscinas estavam fechadas. 

Darlan Romani também foi um guerreiro: ele perdeu patrocínios e teve de improvisar treinamentos em um terreno baldio do lado de sua casa durante o período de lockdown. Embora não tenha ganhado uma medalha, ficou em 4º no arremesso de peso e deu orgulho à nação. O nosso senhor incrível arrasou! 

O apoio aos nossos atletas 

É imprescindível que o governo federal invista corretamente no esporte. Vejam o que Estados Unidos e China fizeram com investimentos e patrocínios. Se os nossos atletas tivessem pelo menos 10% disso, o Brasil definitivamente brigaria por ainda mais medalhas. 

Atletas também apoiam atletas. O jogador de futebol Richarlison, que esteve presente em Tóquio com a seleção sub-23 do Brasil, em carta, cobrou mais investimento nos esportes: 

(…) atletas que chegaram ao auge de seus esportes com pouco ou nenhum tipo de apoio ou estrutura. 

O resultado desse esforço quase sobre-humano de realizar os seus sonhos serão novas Rebecas, Rayssas, Alisons, Ana Marcelas, Heberts, Isaquias, Darlans, Thiagos, enfim… meninas e meninos que surgirão adiante só porque foram inspirados por cada um de vocês. Contudo, acho que o momento é de começarmos a pensar em deixar para as futuras gerações um maior investimento em esporte, desde a escola até o profissional; e de melhorar as condições para que nossos atletas possam desempenhar o melhor possível e viver daquilo que amam fazer.

Passou da hora de nosso país entender que esporte não é só um cara chutando no gol ou enterrando a bola numa cesta: é bem-estar, saúde, disciplina e segurança.

Richarlison morde medalha de ouro após Brasil vencer a Espanha na grande final do futebol olímpico. Foto: Tiziana Fabi/AFP

Nós também precisamos demonstrar apoio aos nossos atletas! Uma conta na plataforma do Instagram com o user @tequeroemparis2024 seguiu todos os atletas brasileiros que participaram dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Você pode contribuir acessando a aba “seguindo” e ajudar os atletas com seu follow! Quanto maior o engajamento que esses atletas tiverem, maiores as chances de conseguirem um patrocínio e, consequentemente, melhores condições de treino. 

INVISTA MAIS NO ESPORTE, BRASIL! VALORIZE MAIS OS ATLETAS QUE TREINAM TODOS OS DIAS PARA REPRESENTAR O NOSSO PAÍS! 

Eu juro que vale a pena. 

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